Núcleo Fundador

João Baeta Henriques, 

de Amioso do Senhor

Manuel Cortez Barata,

de Amioso Cimeiro 

Nazaré Moreira,

de Simantorta

 Carlos Pires,

de Alvares 

António Luís Arnaut,

de Chã de Alvares

Antonino Antunes,

de Cortes 

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QUE FLORESTA QUEREMOS?

Todos queremos uma floresta produtiva, numa paisagem ordenada, no tão apregoado “mosaico agro-florestal” que cria descontinuidades essenciais para prevenir o fogo. Mas para que seja produtiva e rentável, a floresta tem de ter dimensão, pelo que os proprietários têm de ser estimulados a investir e a organizar-se, sendo que, a dimensão só se consegue se os proprietários entenderem que no futuro, que é já amanhã, não lhes vai ser permitido o abandono das suas propriedades florestais.

Com a “Reforma Florestal” que está em curso, quase que se poderá dizer, a quem não cuidar das suas propriedades, que a solução mais lucrativa é vender, sendo certo que aos pequenos proprietários a solução alternativa é associarem-se, quer através da criação de Zonas de Intervenção Florestal (ZIF), quer através de Entidades de Gestão Florestal (EGF).

No entanto, a criação destas entidades, só por si, no actual contexto de pós fogo, não vai resolver os problemas que no presente e no futuro próximo estão e vão enfrentar os proprietários, mas é no momento a única forma de criarem dimensão, reduzindo os custos de gestão e abrir portas para candidaturas a fundos comunitários.

Através da referida criação de ZIF’s e/ou EGF’s, encontram os proprietários outros estímulos para investirem na floresta, designadamente a nível fiscal, face à isenção do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), prevista no n.º 7 do artigo 59.º-D do EBF, para todos os prédios rústicos que estejam abrangidos por áreas florestais aderentes a uma ZIF ou sejam prédios rústicos destinados à exploração florestal submetidos a plano de gestão florestal elaborado, aprovado e executado nos termos do Decreto-Lei n.º 16/2009, de 14 de Janeiro, alterado pelos Decretos-Leis nºs. 114/2010, de 22 de outubro, e 27/2014, de 18 de Fevereiro.

No entanto, estamos crentes que tal estimulação pode e deve passar também pela criação de outros incentivos de ordem fiscal para além dos já referidos, tais como a possibilidade dos proprietários e gestores florestais poderem proceder à dedução fiscal das despesas com o investimento na floresta, elegível a todos os proprietários, mesmo aos que têm menor dimensão e que por isso não têm contabilidade organizada (85% dos prédios têm menos de 3 hectares).

Ao falarmos de rentabilidade da floresta, não podemos deixar de falar no eucalipto. Nessa árvore tão amada por uns e tão odiada por outros! Mas, se pensarmos que um qualquer proprietário que plante eucalipto tem o retorno desse investimento ao fim de 10-12 anos, com pinheiro bravo ao fim de 40 e com sobreiro só a partir dos 50-60, percebemos como, mesmo e sobretudo, nos proprietários de menor dimensão, é importante ter uma parte da floresta a gerar rendimento mais depressa para poder investir na restante!